10/2024 || Área restrita, Polônia.
https://open.spotify.com/intl-pt/track/2rF3jFd4qVFlBnbBbF9mnV?si=101386fe1dcc4134
O barulho da trava de segurança sendo desarmada era quase música para os ouvidos de Viggo. Ele olhava diretamente para o cano do revólver apontado para sua testa e precisou de todo o autocontrole para não sorrir. A soldado à sua frente parecia decidida, e a mão que segurava a arma não tremia nem por um segundo.
— Responda à pergunta ou eu enterro uma bala nessa carinha bonita. — Ela ameaçou, e ele secretamente esperava que cumprisse a promessa. Podia sentir cada detalhe do revólver, principalmente as balas aguardando o gatilho. — O que você está fazendo em uma zona militar da Tríade sem qualquer tipo de autorização?
Ele poderia provocá-la, mas havia outros dois problemas além da arma. O parceiro atrás dela também estava armado, e havia o vão logo atrás da cadeira em que ele estava amarrado com cordas grossas. Devia ter sido o fosso de um elevador no passado, mas agora era apenas um buraco de setenta e cinco metros de profundidade nas ruínas do prédio em que o interrogavam. Um empurrão e ele viraria uma panqueca russa.
Do lado de fora, as chances de Viggo eram julgadas pelos olhões gigantes do A.T.L.A.S. da dupla. A mesma coisona que o capturara e que agora permanecia estacionada diante do prédio, sensores cravados nele como se tivesse vida própria
— Por favor… Viggo não saber onde estar!
— Estou com cara de idiota? Com essa roupa e sozinho no meio de uma área restrita… Quer que eu acredite que você só se perdeu e chegou aqui?
— Ele tem uma boneca na mochila! — disse o colega da mulher, ao fundo, vasculhando os pertences de Viggo. — Porra, é pesada…
Ele retirou de dentro da mochila uma clássica boneca russa, talvez não maior que um Vermelho de Classe I, completamente feita de metal. Com esforço, colocou-a sobre a mesa.
— Certeza de que ele não é Elemental? — Perguntou. — Parece que tem água dentro da boneca.
— Não, por favor! — Viggo exclamou com a voz trincada. Sua expressão se fechou por completo, e as lágrimas lutaram para não cair, mas acabaram escorrendo mesmo assim. — Minha filha. Boneca ser dela.
— Filha? — Os olhos da mulher vacilaram, e a mão que segurava a arma perdeu um pouco da firmeza.
— Vermelhos tomar tudo de Viggo. — Ele começou a soluçar, caindo em um choro descontrolado, doloroso até para quem assistia. — Matar esposa e outro filho. Tudo que Viggo ter é boneca de pequena Alice. Tudo que Viggo querer é encontrar filha. Por favor!
Os dois soldados se entreolharam. O homem parecia prestes a chorar por trás do aparato tático que cobria o rosto. Ele colocou a mochila sobre a mesa, e a colega o acompanhou, abaixando completamente a arma.
— Onde está a sua filha?
— Colônia. Norte daqui e…
Um estrondo cortou a fala de Viggo. Uma terceira pessoa entrou na sala abandonada, batendo a porta enferrujada contra a parede enquanto marchava em direção a eles. Vestia um uniforme militar completo, como os outros dois, mas carregava uma mochila com dois cilindros conectados por cabos que iam até as mãos.